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TANTAS COISAS

por avidarimar, em 08.06.15

Esperava eu ver coisas

Que me mostrassem coisas novas

Com o tempo que ainda não vivemos

Esse tempo está atrasado

E ainda não aconteceu

Foge-nos entre as mãos

Esse tempo

Incessantemente não temos

Um fim de tarde

Com o sol a esconder-se calmamente

Como se tivéssemos

Todo o tempo do mundo

Contar as estrelas

Penduradas no firmamento

 

Esperava eu ver coisas

Como a maresia

Que se instala e cola

Nos corpos meio despidos

Enquanto as árvores despontam

Por entre os riachos

Que deslizam na floresta

 

Esperava eu assistir

Serenamente

Ao teu sorriso

Ao olhar que os pássaros

Esvoaçam de ramo em ramo

E debicam a água do riacho

 

Esperava eu ver coisas

Com o tempo que ainda não vivemos

E que estupidamente não temos

Para saborear cada momento

Deste tempo tresloucado

 

Esperava eu que viver o tempo

Fosse uma coisa natural

E em que não houvesse

Sete horas pra levantar

E o levantar

Fosse uma coisa sem hora

E que a função

Não fosse repetir

O que o tempo nos obriga

 

Esperava eu que as coisas

Pensamentos e ideias

Não fossem um amontoado

De pontos e vírgulas desgarrados

Em que a linguagem

Estivesse nos olhares

E o silêncio fosse

O cumular das emoções

 

Esperava eu ter tempo

Contigo acertar calmamente

Esperava

De mão dada

Olhar pra trás

E com a nossa linguagem

Dizer que este tempo que já passou

Valeu a pena

E vamos continuar

 

Esperava eu encontrar coisas

Em que as coisas

São palavras com sentido

E a sua direção

Seja uma viagem permanente

Sem desvios

Nem atropelamentos

 

Esperava eu ter nas coisas

A estrela polar

Da nossa estrada sinuosa

Sentir o coração sereno e calmo

Sem se deixar embalar no vazio

Dos pesadelos da carne ferida

Rasgada pelos lobos esfaimados

 

Esperava eu encontrar

Coisas enigmáticas

Esmiuçá-las até à gema do caroço

E plantá-la na terra fértil

Do nosso quintal de emoções

Regá-la com a água

Do teu riacho

Esperava eu ter tempo

De a ver brotar

Como os nossos rebentos

 

LUMAVITO

08/06/2015

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publicado às 23:37



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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