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SONHOS

por avidarimar, em 14.04.15

Sonhei que acordei de olho arregalado

E corria pela estrada      Entre as mãos

Um sonho macio             como velo de algodão

Preso a partir do céu                     Um fio de linho

Que liga o meu sonho                   Ao infinito

 

E o sonho subiu                               Subiu

Agarrado àquela linha                   Cordão umbilical

Do paraíso                          E não mais o vi

Juntou-se a tantos outros           Que se esfumaram

 

Com um salto    Agarrei um outro            Que esvoaçava à minha frente

Não o soltei mais             Dobrei-o em quatro

Como boletim de voto                 Ou de protesto

Coloquei-o         Bem no fundo                  Da primeira gaveta

Da mesa de cabeceira                   Da minha cama

De sonhar           Ou de acordar

E o fechei            Com a velha chave         De S Francisco

Para que não se evaporasse

 

Fechados nesta gaveta escura                  Para que não acordem

Apenas os sonhos fantásticos                   Que acalentam o espírito

Tornam leve o pensamento       e a vida corre suave

Como a aragem matinal               fresca e deliciosa

 

Sonhei                 Sentado              Na borda da minha cama

Que o sonho                     Não era fantasia

E o sonho era real           Autêntico           Palpável

Que vivíamos neste cantinho                    Tão solarengo

Bafejado pela brisa do mar

Cavalgávamos                 As nuvens esvoaçantes

Azáfama permanente                  Árduo trabalho

Banhado de satisfação                 Pelo dever cumprido

Realizados

 

Julgava-me acordado                    E sonhei

Que as nossas chefias                   Neste paraíso

Transbordavam de competência

Navegavam no desapego

Inspiravam tolerância                   E confiança

Pensava              Acordado            E sonhei

Que voltávamos a casa                                Felizes

Que entre nós                  A fome não pairava

A saúde era pujante

A educação era dinâmica             E a cultura           Extravasava

Sonhei                 Que a emigração jovem                              não existia

Alimentada        Pelo desemprego

Sonhei que o Pai Natal….

Mal atinjo o despertar                  cravo as mãos no lençol

Dou um pulo na cama                   não encontro a chave

Oh uma dor lancinante                 rasga-me a meio

Frustração          Alma desventrada         

De quatro anos                De inexplicável castigo

 

LUMAVITO

28/03/2015

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publicado às 22:49



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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