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SILÊNCIO

por avidarimar, em 14.04.15

Procurava o silêncio

Fui em busca por todo o lado

Deixei para trás ruas e praças

Corri por entre a multidão

Olho em cada transeunte

Gente de todas as cores e raças

Alguém a quem pergunte

Se o viram ou não

 

Insisto na pergunta

Sem que resposta consiga

Toda esta gente segue apressada

Parece cerimónia defunta

Gente de paz em constante briga

Mais parece na parada

Mil e um carreiros de formiga

Olhos fixos na calçada

 

Expressão de distância

Manifesto de desprezo

Cúmulo de ignorância

Fustigada

Por fogo aceso

 

Soa a zumbido de gente

Num enxame cinzento

Coberto por nevoeiro denso

Gente triste, indiferente

Enredado pelo ar poeirento

Da distância, bem estranha

Manifesto desumano

Tristeza bem medonha

Cariz bacteriano

 

Não é deste silêncio que falo

Este é ensurdecedor

Não é paz de espírito

Não é cómodo nem indolor

 

Palavras, palavras           Tantas palavras

Que sentido, que contexto

Que benefício

Se o produto, consequência

Tem sentido, ofício

Promove harmonia        Solução

Se o não é          Contributo de falência

Fatal prenúncio

Palavras em vão

O terror do silêncio

 

Que silêncio é este

Que me cala a ilusão

Que tipo de sumiço

Me retorna à realidade

Que especiaria me tempera

E me faz parar

No fervilhar destes dias loucos

Pensamentos de abrasar

Que silêncio é este

De momentos tão poucos

Tão

Que me dá serenidade

Na social confusão

De discursos tão ocos

 

Contraponto

Respiro pausado

No recato do silêncio

Inalo frescura na mente

Envolto num mundo sem gente

Longe do borburinho

De tanta gente errante

Dos mesmos hábitos     Do lado mesquinho

Do mundo          Que se acha perfeito

Me arrepiam

E me deixam sem jeito

 

Reconforta

Expressar com o silêncio

A dor     O prazer

O sentir               Que é ser

A sorte                                Que brota

Da sublime ausência da palavra

Entusiasta uso da razão

Saímos mais fortes desta lavra

Contagiado no fervor

Banhado na cor da emoção

 

Silêncio                Solene silêncio

Épico     Calmaria me arrebata

Me empolga      Me transfigura

Que força esta que me ergue

E me faz suplantar

A ausência das palavras

Que doping este             Me espicaça

E me faz pular

Para lá da monotonia

Das palavras vazias

Acão de verbos

Coisas de substantivos

Adjetivos de carregar textos

Que me dá a harmonia

Sem que nada se expresse

Que discurso é esse

Que não me deixa

Ensaiar nada diferente

E calo as palavras             Que balbuciei

Sem articular amargas ideias

Calo o vazio da lei

Com o silêncio que plantei

 

Olhando à volta

Sinto aconchego

Pelas pedras que me olham

E sorriem em comunhão

Contemplo a vénia         Idolatria

Das árvores ao vento

Relação de filogenia

Na loucura da solidão

 

Inclino-me          Rendo-me

À cultura do silêncio

Assim olho a vida

Com existência infinda

Pois do silêncio                a magia

Em caso algum                 Será contida

E extravasa qualquer medida

 

Forma singela   Apaixonada

De sentir esta gente      Este mundo

Objetivamente tentar

Analítico olhar   Profundo

Despido de pretensas teorias

Sabendo             Que vão parar ao mar

As águas das montanhas             Das encostas

Das planícies      E das rias

Prende-me        cativa

Cerro os olhos

Em silêncio         Fico a sonhar

 

 

LUMAVITO

14/12/2014

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publicado às 12:33



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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