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SEMENTEIRA

por avidarimar, em 13.04.15

Nos campos a florir

Flores   espadas a desabrochar

Erectas, reluzentes

Pétalas de gume afiado

Em riste, encaixadas em canga

Ardente e firme

Fazem golpes que sangram sonhos

A erva húmida enterrada

Agora terra arada, branda

Cortada pela folha da charrua

Fundo rasga os solos húmidos

Larva rastejante fura o naco de terra

Pássaro reinante pela bicada profunda

Indiferentes ao ruido da composição

Da junta de bois

Tractor antecipado

Com dois motores

Pelo acastanhado, pachorrentos,

Passa por mim, um ao rego, outro à arriba

Chegados ao fundo do terreno

Vira a folha, limpa o ferro

Regressam, um à arriba, outro ao rego

Rego que mal viu a luz

É já coberto à vinda.

 

Porque abre e logo fecha?

Porque vai e vem?

A terra é revolta

Sulco pra lá, outro pra cá

Olho esbugalhado, o miúdo

Só vê a magia do revoltar

E virar a terra do avesso

Lança a magia na planície ensonada

Interrompida pelo raiar do sol

Entre ramagens estaladiças

O miúdos de olhos brilhantes

Entontecido, extasiado

Tal a imagem de mudança

Mundo ao contrário, terra remexida

Virada pelo encanto de um ferro.

E se revoltasse esse lado da sua vida

Lhe lançasse umas sementes de atrevimento

Depois gradada a terra

Cresceria a alegria

O milagre da germinação

Este mundo do avesso virado

Teria outras culturas

Outros milagres

Vagem cheia, semente apodrecida.

Como seria diferente

Se eu pudesse

Lavrar o mundo todo

Regá-lo com suor dos humanos

Correr com todas as pragas

Teria o celeiro cheio

Para alimentar o mundo todo

À luz do dia

O prazer duma vida feliz

Fazer das causas amargas

Sem sabor de permeio

Um pote de doce mel

Do néctar do centeio.

 

Do pouco se faz muito

Do muito s e faz tudo

Gerando um intuito

Compor, inventar

De tudo se faz o mundo

Uma terra de tudo amar.

 

Se não amo o que crio

Quem o olhará com fervor?

Sou eu que lhe dou forma

Toco-lhe na face, imagem

Tempero-o com o meu calor

Isso para mim o torna

A leveza da folhagem

Do espírito criador.

 

LUMAVITO

6/1/2014

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publicado às 21:46



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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