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RAPSÓDIA OBSESSIVA

por avidarimar, em 14.04.15

Desponta o sol pela matina

Rasgando a força da neblina

O dia despontou risonho

Evoluiu rapidamente

Com aspeto bem mais medonho

 

Das nuvens e do vento

Se colhe chuva com o tempo

Se sabiamente se diz em Abril

Não sei se por sorte

Estranhamente água em funil

Já que me bateu bem forte

Olha se fossem notas de mil

Já se torna obsessivo

Em vez de espírito criativo

 

Entranhado está o vício

De escrever coisas d’ofício

Rimando ou não

Alinhado ou em confusão

É tamanho do correr

Não atinge qualquer ser

Mas se sofre do contágio

É como barco em naufrágio

Dali só para o estaleiro

Não tem outro paradeiro

 

Correr é como ir sem destino

É um prazer clandestino

Que da gente corta casaca

Nem que seja de ressaca

Parar é meio morrer

Para quem busca prazer

E cuidar a saúde escolhe

Seja ao sol ou se molhe

 

O outro meio

Deixar de comer

Como o burro do espanhol

Com a arca cheia de favas

Morreu de fome

Ao pôr do sol

 

Chova a cântaros ou faça sol

Terra batida ou piso mole

Entranhado está o bicho

Sem tomar algum capricho

Em cima da relva

Fugindo ao lixo

Não sei se loucura

Ou obsessão

Só sei que me molhei

Mas quando a vontade

Toma força de lei

Pode ser tempestade

Mas desistir eu não sei

 

Escrever é resistir

É não ter para onde ir

Sem se levar a caneta

Na peleja do dia a dia

É a nossa baioneta

Numa constante idolatria

 

Bem terrível é lutar

De forma desigual

É correr o olhar

À volta do caniçal

Fixar a vista no chão

Ver torvar a razão

Travar o passo repentino

Sem saber qual o destino

Daquelas criaturas expeditas

Umas tais hermafroditas

Que se cruzam em confusões

Trocam tripas esquisitas

Que me causam alucinações

Vê-los passar modo apressado

Sem olhar para o lado

E sem tomar qualquer cuidado

 

E no trânsito em contramão

Está lançada a confusão

Avançam centímetros a fio

Em tresloucado desafio

Com os cornos espetados

Como não liguei à rima

Não sei se ainda por cima

Serão cornos ou serão chifres

Não creio que decifres

O sexo do animal

A velocidade é tal

Que em caminhos distantes

O que é agora

O agora já foi antes

 

É estranho mas é espantoso

Mais parece

Injetado intravenoso

Na pele causa erupção

Uma perfeita obstinação

Será bactéria ou uma virose

Será do ar ou overdose

Ou influência do Trancão

 

E a corrida já vai longa

Como longa a novela

Em tudo o que à volta vejo

Onde este rio

Toma banho no Tejo

 

Correr e declamar

Na caminho para o mar

Não se quedam os encantos

Sonhar e correr à chuva

Quem contém as emoções

Nos aprazíveis recantos

Pelo Parque das Nações

 

LUMAVITO

06/04/2015

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publicado às 23:01



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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