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RAPAZOLA DE NAIQUES E LEVIS

por avidarimar, em 13.04.15

 

 

Nunca ninguém te disse

Na segunda pessoa do singular

Nem nunca tiveste dois dedos de testa

Que visse para lá do inconsciente

Em caso algum enxergaste

Que viver não é só por si

Passear os ténis pela cidade

Nem menos ainda

Escolher calças de ganga no centro comercial

 

Isso é vaidade exibição montra de palhaço

Viver é bem mais do que isso

E isso justamente

Ninguém te ensinou

Que vida é luta

Vida é permanente conquista

É vencer mas não derrotar alguém

É vencer-se a si próprio

Coisa que ainda menos experimentaste

Pois sempre tiveste quem te segurasse

E te puxasse pela arreata

 

Subsistes à conta de heranças

E do trabalho de outros

Que te deixaram rendimentos

Ganhos em milhares de réis

Esses euros que agora te chegam

Não são do teu trabalho

Que o alcançaste

Nem te conferem dignidade

E que a ti tanto te ignorou

 

Não se vive só de boas maneiras

E essa vida não é manequim de montra

Não é camisola de lã

Ou sapato de vela

Esta vida faz-se com pessoas

Mas pessoas com honestidade intelectual

Tu que apareces de cara deslavada

Essa tua essência

Apenas montada na aparência

Nunca aprendeste o sofrer pela conquista

Sentir a dor na vitória

 

Tu que tratas uma mulher

Como se um ser de segunda

Como se apenas de um troféu se tratasse

Para exibir às tuas hostes apoiantes

Não te suscita respeito a mulher

Pela sua acção pela dinâmica

Pela persistência e arrojo

Nela vês um bocado do teu prazer

Pedaço submisso como gato ou cão

E a tratas mal com ofensas

Quando os argumentos não te acompanham

 

Deixa-me dizer-te

Porque só por ti

Não tens inteligência que te esclareça

E os miolos são coisa que se exercita

E esse teu deserto de ideias

Cria um vácuo de saber

 

Mas não falo do saber manipular

Nem de saber encurralar

Abre os olhos, sentado nesse muro

Revestido de musgo humedecido

Se esperas aí por ela

Que ela passe par lhe lançares o isco

Não percas tempo

Porque esse tempo de bebedeira

Pela conversa fiada

Só passando por elas

Perceberás a distância

Entre um homem e um rapazola

Não passas dum farsola

Sem carácter e sem raiz

Vai para casa que te constipas

Pois, sem ti

Mais gente será feliz

 

 

LUMAVITO

25/05/2014

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publicado às 23:11



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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