Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


PATRIA TRISTE

por avidarimar, em 12.04.15

A tua dor é a minha dor,

O teu choro, meu lamento,

Maltratada, pálida, sem cor

Tu lastimas, não me contento

Que tenhas filhos, de seja quem for,

Filhos sem pão nem sustento,

Pariste-los com tanto fervor.

 

Não quero, estou farto

Percorro as vielas do teu corpo,

Olho teus olhos,

Recuso-me, e não parto,

Os teus olhos tristes

Procuro que me fites

De frente, e dizer-te,

A lua está triste, a lua está nua

Cinzento pardacenta.

 

Minha mão está fria

Como a tua, regelada

Mas não está sangrenta

Tua mão é carinho,

Desejoso que ela me afague

Sem algemas de sangue,

Este coração sozinho.

 

O PIB, o défice, a dívida,

O estado e o privado,

O privado que é dos outros,

Porque o teu privado é de todos.

Discurso habituado

Nosso, só as ruas desertas,

As noites escuras,

O peso do fisco, o deve

E o nada tem a haver,

Embebedam falando de praias belas,

O caminho é o das estrelas

E o ciclo vai inverter,

Mas não inverte,

E é dez virgula seis e não cinco e meio,

É só mais um sacrifício, um esforço,

Não estando brilhante, sustentável

Está mesmo feio,

Não há qualquer reforço

Para uma dívida impagável.

 

Choras, pátria nossa, pátria forte,

A dor dos teus filhos,

A dor profunda na carne,

Esfaqueada pelos brilhos

Dos canivetes dos artistas do golpe!

Tudo tresanda a sangue jorrante,

Nesta democracia representativa,

Tu votas, e eu decido

O que, de forma certeira e constante

Com texto belo, forma substantiva,

O que há de melhor para o partido.

 

Choras, pátria minha,

Com estes artistas, representantes,

Hoje há a mais função pública,

Amanhã saúde a mais

Antes era demais ensino

Voz altiva de distintos figurantes

Em tão sujas mãos

O teu e o meu destino.

 

Pátria guerreira, ousada,

Sempre usaste

Tratar vilão e repressor,

Com filigrana cuidada,

Invasor e traidor,

Não com vingança, mas justiça moderada

 

Não magoas quem te magoa,

São todos teus filhos,

Para uns, valores é coisa boa,

Outros seguem outros trilhos,

Não baralhes, não confundas,

Repressor não é da tua veia,

Chegou cá por outra via

Chupa-te o suco maior

A que chamam economia.

 

Pátria és tu, sou eu,

O teu amigo, e familiar meu,

Pátria somos nós todos,

Diferentes as gentes

Tantas formas de pensar

Não somos pera doce, doces tolos.

Tolerantes, pacientes,

Isso somos…

Mas quando os filhos da mãe

Usam do abuso,

Ah sim!

Qual Conde de Andeiro

Ficou em ponto de mira,

E com um tiro certeiro,

É da varanda que se atira

Um traidor forasteiro.

 

Ao lado de um grande homem

Há sempre um grande traidor.

Traidores, penso,

Apontá-los, nem importa,

Nem é preciso!

Busquemos os grandes homens,

Quem são?

Onde andam?

Não dei que tenham por aí aparecido!

 

Ou esse desígnio se cumprirá

Da nossa iniciativa deste povo,

Mais uma vez história se fará

E teremos a nossa pátria, de novo!

 

Quero voltar a ver o teu sorriso

Esse sorriso nos teus lábios

Quero voltar ao paraíso

Ouvir teus conselhos sábios

Para te ver radiante, feliz

Farei o que for preciso

 

 

LUMAVITO

30/06/2013

 

http://avidarimar.blogs.sapo.pt/

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:48



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Abril 2015

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930

Posts mais comentados



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D