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NÃO HÁ INVERNO

por avidarimar, em 12.04.15

Espelho do ânimo

Semblante sorridente

Conheci tal furacão

Cantando cada minuto da hora

Dia         semana                               mês a fio

Porte sagaz        competente

Tudo rodava na sua mão

Pela vida fora

Em constante desafio

 

Quem a conhece

E eu mal a conhecia

Sabe o encanto

Que naquele espírito empolgada

Ritmo louco todo o dia

Aos afazeres de quem não cede

Milímetro ao ócio

Jornada toda, ar de cansada,

Palavra nunca usada

 

Tempos loucos

Loucos tempos de trabalho

Agruras

Os dias eram curtos

Tanta azáfama                  se esquecia

Que       na terra

O limite não é o céu

Nem em bicos de pés

Lhe chegamos com a mão

A razão estava alta

Não fizesse nada falta

Aos que lhe ocupam o coração

 

Certo dia, ao virar da esquina

De tempos sem a ver

Aquela cara que todos fascina

Tinha algo diferente

Não lhe reconhecia        não era gente

De se vergar à dificuldade

O sorriso era o mesmo

Talvez mais desbotado

Mas era ela        vagueava pela cidade

Buscando da vida            o outro lado

 

Passo dorido     movimento sem chama

Olhos brilhantes              ombros descaídos

Desloca-se         ar cansado da vida

Longas noites e dias sofridos

Lágrimas gordas de dor                derrama

Suspira                 chora

Aquela alegria fingida

Que não é a mesma de outrora

 

Oh dor! Oh raiva!

A que antes andava       erguida a cabeça

Agora não tira os olhos do chão

Dona de uma vida plena

Haja o que houver

Helena

Essa não és tu

Tu és     tens muito mais

Para dar e vender

O que esta era te travou

Vai-se soltar, vais correr              gritar

Esta não sou eu

Nem quero por aqui ficar

 

Essa dor que ela sente

Também eu a senti

Olha em frente

A tua garra é maior

Que todas as patranhas

Que a vida nos oferece

 

Da lama dar o salto

Não sou crente

Mas, se quiseres

Por ti rezo uma prece

Se com isto te puder

Dar ar mais contente

Eu não falto

 

Compreendo, este momento

Para ti desconhecido

À noite                 todas as campainhas tocam

Badalam tantos sons

Tantos rumores

O amanhecer tem outros tons

Ao ritmo dos clamores

Vais voltar a mostrar

O teu sorriso rasgado

A quem mais te ama

Os teus esperam-te

Tens muito para lhes dar

Alguém que te reclama:

Acorda desse sonho mau

Verás que eles querem-te

Aquela mulher de intensa chama

 

Só uma coisa me empurrou

A sair do meu cantinho

Ver-te a sofrer uma dor

Não é só dor

É tormento.

Mas...

Não há sentir igual

Ao emergir dessa água sem cor

Saborear a brisa do vento

E ver afinal

Esta Lena que vi               desencantada   triste

Agora já ri, já chora de alegria

Este já é outro tempo

À tua força, nenhum mal resiste

 

Quero saber que continuas a sorrir

Queria dar-te uma flor

Olha para estes versos

Pétalas carregadas dum tom maior

Para pores na lapela

Encara-os como do mato             flor selvagem

Não foi regada

Mas tem sentimentos

Que vale a pena a imagem

Gratos estes momentos

Dormir a Primavera desabrochada

 

 

LUMAVITO

21/06/2013

avidarimar.blogs.sapo.pt/

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publicado às 22:24



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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