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GADO

por avidarimar, em 20.05.15

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Não à guerra

Não há guerra

Já não há guerra no Ultramar

E Timor já tem treze anos

Mas todos os dias nos fazem uma guerrilha

Despudorada lenta encapotada

Sem direito a trincheiras

Essas estão do outro lado

São barricadas ocultas

De onde são lançados mísseis ideológicos

Atingem-nos com o estrondo destruidor

Do desgaste quotidiano

 

Em todos os noticiários

Os coletes de força apertados

As facas estão afiadas

Os cutelos apontados

Disfarçados no corredor do matadouro

Foi privatizado

Trabalha vinte e quatro horas por dia

E os bois sangram

As vacas mugidas não dão leite

Vertem uma solução aquosa

Com coágulos de sangue

Os olhos dos cavalos brilham

Do sangue derramado pela esclerótica

As ovelhas berram sangrando

No ruminar ácido do bolo

As cabras parideiras

Têm o amojo vazio enrugado

Os bodes perderam os tomates

Rebentaram de tão entalados

E ainda não entraram no corredor

Vão a caminho

 

Os carniceiros andam à solta

Nós somos o gado a abater

 

Fujam

Fujam todos

E não se deixem prender pelos cornos

Berrem ladrem mordam

Deem-lhes coices

Zurrem e praguejem

Mas não cacarejem

 

De tanto cacarejar

É que eles nos acham galinhas tontas

E só os galos os têm junto à garganta

Cantam muito e fazem pouco

Esgravatam o chão

E os outros querem-nos calar o bico

Mesmo antes de nos estriparem

 

Cheira a passos de coelhos engravatados

reais pragas em ebulição

Às paulinas portas que são das tocas

Que são palácios

Tresanda a sangue podre do poder

Contaminado pela bactéria dos mercados

Que são voláteis

Cheira a vinte e oito de Maio

 

E a Santa Comba

E à pútrida matilha de lobos esfaimados

De vingança dos traços

que a história escreveu

 

Resta-nos fugir para as montanhas

Comer a erva que cresce no mato

Beber a água que resta no leito seco do riacho

Resta-nos resistir bem do alto

Até que apareça

Um presidente que nos ouça

 

LUMAVITO

20/05/2015

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publicado às 19:01



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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