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FESTIVAMENTE

por avidarimar, em 14.04.15

Nesta época festiva

Celebra-se         Pobreza

Fome    Desemprego

Mentiras dos políticos   Desassossego

Neste Natal de loucos

Arrastando-se  Compassadamente

Nos corredores                               Do centro comercial

Nos vidros embaciados pelo bafo

Esta gente

Que morre aos poucos

Sendo que pouco tenha

Na mesa ao jantar

Na lareira arde a lenha

No bolso apenas trocos.

 

Euforia desmedida

Compra consolas             Peluches             Chocolates

Gomas de consumir o tempo

E o bicho da ansiedade contida

Esta gente          Triste gente

Aparentando toda a calma

Com cara sorridente

Disfarçando o que lhe vai na alma.

 

Preces ao menino

Ai que ouse algum cretino

Não entrar no ritual

Da imagem do Natal.

 

Alguns vão à missa do galo

Cativos                                Fervorosamente

Do Jesus menino

O poder inconsciente

Da fralda de linho

E da vaca indolente

Dos camelos      em pleno deserto

Com a estrela por bem perto.

 

Vêm da missa do galo

Que amanhã já é assado

Vão pra casa      Trocam presentes

Comem fritos

Bailarotes           Pimpolhos

Filhoses quentes

Sonhos benditos.

 

Animam-se

Do diário tédio que subsiste

As escuras nuvens do dia

Dos dias invariáveis

Que nada trazem de novo

A não ser mais tortura

Imutável horizonte deste povo.

 

É Natal                 Ou já não

Já passou

E a louca euforia por cima

Para esconder a monotonia

E novo ano se aproxima

Celebrado                          Em estridente cacofonia.

 

As lojas voltam a encher

Champanhe       Marisco

Mais comida      Bem bebida

Irrompe pelas gargantas

Empanturram-se

Coca cola             Cerveja

Outras bebidas de estalo

Animados           Empolgam-se

Abraçam-se beijam-se

Ao tocar as badaladas

O ano vai ser novo          Vai ser muito bom

Nestas gargantas bem regadas.

 

Bandulho atulhado

Cérebro perturbado

Perduram até à exaustão

Romper da aurora

Traz securas

Fazendo das tábuas       Colchão.

 

O que resta todo o ano

Olheiras               Mau estar

O desejo de coisas novas

Na vida do quotidiano

Rápido virou azedume

Nada mudou     As mesmas trovas

Nem o calor de algum lume

Poderá estas mentes arribar

Já que de pensamento velho

Não se faz bom conselho.

 

LUMAVITO

05/01/2015

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publicado às 21:37



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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