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DO OUTRO LADO DO RIO

por avidarimar, em 13.04.15

Quero saber como

E não entendo

Porque           Na minha casa

Frente ao espelho

Vejo a porta que dá acesso

À rampa              Que dá para o rio

Que corre todos os dias

E sempre para o mesmo lado

 

Aquela porta está aberta

E quero ir para o rio

Ver passar a água

Transparente    Como o espelho

Sempre vinda de cima

 

Para lá daquela porta

Para além do espelho

Corre a aragem ligeira e suave

Noutro sentido

E o rio corre sempre para baixo.

 

Não é só imagem

Belisco-me sinto-me

Sorrio, faço caretas

E o rosto

Que está para lá do espelho

Não age nem reage

 

Mas eu noto que o rosto

Da imagem         Também sofre

Como eu

 

Sofre do mesmo modo

Coma mesma intensidade

Porque não consegue          Ir para o rio

Desistiu               Voltou pra trás

E está frente a mim

Impotente

Porque a porta que está

Atrás deste rosto

Apesar de aberta

Não o levou junto ao rio

 

E pergunto-me porquê

Estranha incoerência

Da porta aberta               Do lado do rio

E que não conduz à rampa

Que dá para o rio.

 

Sei que o rio está

Atrás da porta

E o espelho está na minha frente

Toco-lhe              Encosto a face

Ele reage

Fica mais baço.

 

Não sei o que é imaginário

Se o rio que eu sei que existe

Ou a porta que está lá atrás

Ou o espelho que embacia

 

Este espelho     tem uma porta

Que dá para o rio

Para lá da parede            Da minha casa

Que tem um espelho

Para cá da porta

Por onde ninguém passa

 

Sinto-me prisioneiro

Deste espelho

E deste labirinto

Para lá de mim

Até ao outro lado do rio

Que corre           Dentro de mim

 

Brota

Este rio de palavras

Enxurrada           De figuras poéticas

Dilúvio de alegorias

Sobe o nível

Extravasa as margens

Estou inundado

Fico à tona          A boiar

Para lá do horizonte

No alto mar

Lendo as estrelas

Como palavras

 

 

LUMAVITO

18/11/2014

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publicado às 23:41



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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