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CAMINHANTE SOLITÁRIO

por avidarimar, em 14.04.15

Um sorriso de alívio

Uma breve caricia na face

O respirar fundo

Sinal de acalmia

Sintomas de um caminho

Desníveis acentuados

Com subidas escarpadas

Dificuldades assumidas

 

Por vezes

A mão escorrega na saliência da rocha

O pé escapa do apoio na reentrância

O corpo treme de susto

Estatela-se no socalco

Dois metros abaixo

Esfolado nos cotos da mão

As calças rasgadas no joelho

Cabeça zonza

De costas            ergue o corpo doído

Lentamente…

 

Estamos vivos

O pé mexe

A mão sangra um pouco

Não é importante

Importante é estarmos de pé

E caminharmos

Essencial é o prazer de viver

 

O percurso é irregular

Mas segue em frente

Não volta atrás

O cansaço acumula

Até perto da exaustão

 

Um medronho                 uma amora silvestre

Um qualquer outro fruto do mato

Encostado a uma qualquer árvore

Arbusto ou inclinação de pedra

Ou de terra

Suave e inconsciente    Desliza até ao chão

Sentado              desconcertado

Da sacola pendurada nas costas

Sorve um gole de água

Um olhar à sua volta

Tudo está mais longe    difuso

Percetível           só o movimento da forfolha

De ramo em ramo

Movimentos bruscos    repentinos

Difíceis de acompanhar

A vista tolda

O sol vai-se        O corpo cede

E o sono profundo instala-se

Por ali                   Num local ermo

Como se da sua casa se tratasse

 

Ali mesmo          brota um sonho

Que cresce em cada segundo

Lança-se a planar

Em registo supersónico

Sobrevoando as copas das árvores

Na encosta

E as que crescem frondosas

Junto ao riacho que desliza fluente

No vale que ergue perfilado

O aqueduto que outrora

Matava a sede à cidade

 

O corpo perde o peso

E flutua

Basta bater os braços alados

E impele subida vertiginosa

Até ao longínquo zénite

Do paraíso

Por ali se demora            e vagueia

Como falcão predador

Em círculos esvoaçantes

À procura de uma presa

Que lhe dê o alimento

 

Rapina                  fogo que aconchega a alma

Parte singela de resistência

Sobreviver ou sucumbir

O corpo ave levita

E assiste ao romper do sol

No oriente

 

Nova fase           desperta

Restabelecido da jornada

Ergue-se lenta

E compassadamente

Retoma a marcha

Pelos trilhos irregulares da serra

O meio mais aprazível

Bem longe do borburinho

 

LUMAVITO

15/04/04

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publicado às 22:55



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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