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BRILHANTE LUZ BAÇA

por avidarimar, em 13.04.15

Olho as águas cristalinas dum rio seco

Percorro as margens da felicidade

Mergulho nesta torrente

De falsas esperanças

Dum dia resplandecente

Carregado o céu de escuro cinzento

Este que é miragem de toda a gente

Só de mim é amarga imagem

De caminhos cruzados pelos passos

Passos apressados, lentos, firmes ou moles

Da força de viver fraquezas

Triste é o dia dos que vadiam

De quem sonhou sonhos lindos

E belos de sonhar

Com pés descalços pisa pesadelos

Estradas amargas, cobertas de tojos

Rijos, verdes, penetrantes

Rastos ensanguentados pela ferida do espírito

Que estremece em cada picada envenenada

Desta gente insensível, desumana

Desleal e mentirosa.

 

Quantas ceifeiras são precisas

Catarinas de Baleizão, feridas, prostradas

Para que do prostrado se erga o arrojado

Do resignado se levante o destemido

Se diga que só há dominadores

Até que a coragem dos resignados

Suba de tom

A indignação transborde

O caldeirão deste país

Soe bem alto a voz dos espezinhados

E o saque dê lugar à justiça

Cega

Ou de olhos abertos

Se faça justiça sem vingança

Mas que garanta

Aos que pagaram a dívida que não deviam

Lhes seja devolvida cobrança sangrada.

 

Virão os dias, muitos dias

Mas já não faltam muitos

Em que a lei não é o mercado

Lei será a dignidade

Lugar se dará à verticalidade

Confiança em quem confia

Em lugar da vergonha, a honra

Honra na palavra, no gesto.

 

Ergamos os valores humanos

Escondidos, temerosos

Em segundo plano

Empurrados, tolhidos

Pelo balançar duma nau desorientada

Neste mar picado

Revolto, embrutecido

Contracções bruscas das entranhas

Não permite que cérebro raciocine

Momento do salve-se de modo qualquer

Mãos soldadas a coisa qualquer

Da barcaça

Que nos mantenha

Cabeça fora de água

Olhar atónito do espumar de toda a onda

Vire breve em tempo de bonança

Leve brisa trará mudança

Corpos ensopados terão breve descanso

 

Pé em terra firme, bem firme

Regará o canteiro da emoção

Crescerá a árvore da razão

Singrará a floresta do saber e da cultura

Construiremos cabanas de amizade

Recuperemos o caminho da dignidade

 

LUMAVITO

15/02/2014

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publicado às 21:48



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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