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A MINHA AMIGA NICA

por avidarimar, em 12.04.15

Belo almoço de grelhado bacalhau

Adorada salada, tomate, pepino

Couve roxa, cenoura, alface

Correr estômago intestino

Assim nada mau

Coisa que a malta gosta

 

Café de bica que fora

Antes comprado

No supermercado

Prazer da vida no palato

A todos fiquei grato

 

Em redor, a sogra

De cara nada magra

Dos “remédios”, assim o encara

Família toda à mesa

Conversa nossa, vários temas

Cordata discussão acesa

Debate animado este

Tal era a paixão

Que foi adiando, e lançou natural teste

À vontade de levantar

E visitar o meu cão

 

Não é cão é cadela

“NICA” o nome dela

Não tem ordem de subir

Disciplina de hierarquia

Para a casa dos humanos

No piso de baixo, seu poiso

Arquitectei meus planos

Desci para o nosso cantinho,

Bem perto das garrafas de vinho,

Bem vazias, por sinal

 

Abri a porta, fui ao quintal,

Fitou-me de frente, admirada:

“Onde andaste tu?

Conversar eu queria

Com quem, não tive

Vida de cão, surreal”

 

De cão não, de cadela

Ripostei eu, tu não és qualquer cão

Tu és a minha cadela

Vá eu montanhas correr, ou ainda de barco à vela

Serás a conselheira

De quem vai estrada fora

 

Sempre atenta, cabeça erguida

Olhos brilhantes, comovida

Minha cadela nada disse

Sentou-se, deu-me a mão

Digo eu, pata da frente

Falar não era preciso

Estava radiante

 

Desafiei-a no olhar

Os olhos, de mim não desviou

Da cabeça lhe afagar

Foi coisa que a derreteu, seu focinho austero

Exclamou:

“O que é meu também é teu”

 

Conversas longas temos tido

De cima do seu porte altivo

Tal animal encorpado

Doutos conselhos me deu

Ânimo, desafios

Naqueles dias frios

E noites de céu assombrado

 

Fiel amiga, pois és

Tão grande teu coração

Deitou-se a meus pés

Se frio não tiveres

Eu no peal da porta

Controlo a emoção

Fico a olhar para ela

Qual frio que corta

Dos dois a respiração

 

A minha NICA já me ensinou

Que ser cão não basta

Para ser digno, verdadeiro

Preciso de ser fiel

Fiel ao meu sentimento

Fiel em bom e mau momento

Humilde que se farte

Para cumprir meu papel

 

E os dois adormecemos

No peal do nosso cantinho

Por quantas horas não sei

Só sei que regelei

Mas, ao acordar, senti o carinho

Da pata da NICA

Eu me vou, e ela fica

 

LUMAVITO

16/06/2013

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publicado às 00:23



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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