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A LEZIRIA DA VIDA

por avidarimar, em 11.04.15

Vejam esta festa,

Festa da alegria,

Encantos tamanhos

De quem tem sonhos,

Para aos outros cantar

Quanta coisa boa

Tem à vida a dar,

Versos de louvor,

Que com tanta dor

Vos quer ofertar.

 

E o cantor cantou….

 

Aqui dança a praia

Da nossa alegria,

Aqui está a areia

Do nosso areal,

Aqui vai a água

Do nosso arrozal

 

E o cantor calou….

 

A orquestra branda

Seus sonhos embalou,

A lira não mais parou,

O maestro, seus braços pára

Dois segundos, um compasso….

E o cantor cantou:

 

Nesta água parada

O arroz cresceu.

Na valada livre

O motor parou.

Já não há água

Para o arrozal.

 

 

E o cantor gritou:

 

Já não há sustento

Para o pessoal

Já não abre a escola

Do nosso saber.

Quero um dia lindo para,

De novo, sorrir,

E voltar a ter arroz integral….

 

E o cantor quedou….

 

Ouve-se o trombone, rugido tão grave,

A mão do mestre de novo agitou,

Gaitas e clarins,

Cordas e afins,

Berraram bem alto,

E o som partido mais se elevou….

 

S..i..l..ê..n..c..i..o…….

 

….Duas leves pancadas, da batuta mor,

Com voz magoada de tanta dor,

Sussurro ao fundo, da melancolia….

 

E o cantor berrou….

 

Baixem-se as armas, a guerra acabou,

Não gritem mais, que a paz voltou.

Juntem-se as donzelas

Para dançar com elas….

 

E o cantor chorou….

 

Sua amada querida ainda não voltou,

Rufar do tambor cala a minha dor,

Clarinete fino

Dá-me o teu tino,

Arpa melódica

Dá-me a melodia,

Violino fraco

Dá-me teu trato,

Concertina bela

Dá-me aquela que sorriso me dá

E feliz me porá.

Oh motor parado

Rega o meu prado

Para feliz, amar.

 

Fogueira sem lenha,

Não há vida que tenha

Norte para o leme

Do meu barco a remos,

E vivida assim,

Sem outros termos,

A vida não paga

De tanto sofrermos.

 

E o cantor respirou….

A fanfarra solta, se empertigou,

Cantarola bela

Prá rapaziada

Deixa-me embalar

Quem dormitou….

 

E o cantor cantou….

 

Ela mudará o forte sentir

Que o amor nos dá,

Cala a minha dor,

Meu roufenho tambor

E a música mudou

Importa sorrir….

 

E o cantor sorriu….

 

A tristeza louca

Nunca mais se ouviu,

O silêncio foi

E não mais voltou.

O grito de amor

Por quem tanto amou!

Oh fanfarra rouca

De tanto cantar

Corre mundo inteiro

Pra não mais calar.

O amor é tosco

E embebedado

Pra sorrisos ver

No teu penteado.

Olho brilhante,

E o grito cantante

Que não mais calou,

E também dançou

A valsa e o vira ….

 

E o cantor soluçou…

 

A vida não pára

O amor floresce.

Canta esta canção

A quem aparece.

Minha vida assim

É bem agitada,

Não a quero disforme,

Nem água parada,

Charco de ilusões

Para quem acaba

Achando bela

É a vida parada….

 

E o cantor balbuciou….

 

Oh neurónios meus

Reguem esta flor

Com cuidados teus

E de tal amor….

 

E o cantor cantou….

 

Canções de embalar

O ardor profundo

Que tem pelo mundo

Oh musas minhas

Não caleis a voz

Para eu escrever

O que é para nós.

Oh motor da vida

Regai o baixio

Não deixeis crescer

O nosso vazio….

 

E o cantor respirou….

 

Oh delírio meu

Canto à desgarrada,

Para encanto teu,

E da filharada

Cantando assim

Vivo a desfolhada

Deste doce fruto,

O maior conduto

Pra esta mesa

Que nos dá peito

Para conversa acesa….

 

E o cantor transpirou….

 

A música ensaiou novos acordes,

Ânsia em que mordes

Teus lábios bem ternos,

De olhares cândidos

E gestos fraternos….

 

E o cantor assobiou e cantarolou.…

 

O velho sorriu

Num olhar profundo,

Ventre encolhido

Algibeira no fundo

Nele é alegria

E tudo porfia,

O homem floriu

Com o vigor

Lhe dá o calor,

De ao que assistiu….

 

E o cantor tombou….

 

O escritor escreveu

O que não calou

Para o mundo seu

Saber da dor sua,

Que de amor sofreu.

 

LUMAVITO

11/06/2013

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publicado às 23:17



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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