Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


À FLOR DA PELE

por avidarimar, em 14.04.15

Como as emoções esvoaçam

E se ligam a figuras

Correm o ciclo   O hemiciclo lunar

Dão voltas          Dão comigo às voltas

Escarafuncham as memórias

Que saltam como mola

Por entre lágrimas          De satisfação

 

Ou causam dor                 De abrupta violência

Essas emoções                 Que não se conseguem congelar

Guardar pra outros momentos                Mais próprios

Que as possamos receber

Ou enfiar na gaveta       E esquecer

Por enquanto

Não

Elas ficam mais                 Massacram

Lançam ácido na minha caixa

De memórias

E vão-se              Consomem-se

 

Emoções             são um avião

Rapidamente                    Com impacto

Faz-se à pista

Resguarda-se no hangar do meu cérebro

Por ali permanece

Reabastece-se                 Levanta voo

E vai       Célere                  Desaparece no horizonte

Rumo ao infinito

O rasto                 só a borracha queimada              Na pista

A marca               Essa ficou            Na memória

Que deixou        Por apagar          alguém o há de ou não

Eu fiquei com a imagem               que se esfuma

No fogo dos dias             que sucedem

E consomem os neurónios.

 

Correm nuas     Pelos labirintos

Deste quintal

Agitando as asas

Que já não são suas

Roubadas durante a noite

Levantam voo picado

O pescoço          Inclinado à ré

Procurando o zénite

Perdido do alcance da vista

 

Ah se as emoções fazem chorar

Deixam no ar um perfume

De violeta           ou rosa

Jasmim

E quando o cinzento do céu       Nos invade

E os olhos se fecham     Percorrendo o infinito

Giram em torno do jarrão

Aperaltado         Com as pétalas secas do cardo

Que por aí colhi                               Não pelo odor

Antes pelo rigor da forma

E temperamento.

 

Ali estão              Quietas

Tristes                  À minha frente

Se lhes toco       Picam

E partem-se       Desfazem-se

No chão               Já nada significam

Ensombradas                    Pardacentas

Escondidas na penumbra da noite

Até que uma vassourada            As remova

E na memória permanecem

 

Oh as emoções

Já são amarelas                                Icterícias

Cadavéricas

Já não me surpreendem

O coração está mais duro            Mirrado

Não bate tantas vezes

E a alma?             Será que ainda anima?

Será que a tenho?

Não sei                Não a vejo          Não a sinto

Nebuloso ou transcendente?

Abstrato?

Mas sinto vida                  E entendo-me criatura

Não sopra como a brisa de norte

Que talvez me traga outra emoção

Arrepia-me        Cutânea

Do momento

 

Deixo o coração               Deixo a alma

Largo tudo          Procuro razão

E parto em busca do “eu”

Disfarçado de “imperturbável”

E “valentão das dúzias”

 

Não…    Não quero dizer

Que estou emocionado

Por não saber quem sou

Nem ao que vou

Não me atrevo a pronunciar

Que outra me invadiu

Isso agora           Já é coisa de fracos

Homem que o é              Não mostra

Esse lado piegas

Faz-se forte       Aguenta              Estoico

E se não conseguir          Se fraquejar

Quando a dor é maior que o furor

Esconde-se        E berra                 Grita

Chora

Sem que ninguém note

E bem longe do mundo

De circunstância

 

Assalta-me a melancolia

Sentado no morro          Junto à praia

A olhar o mar

O céu charmoso              Salpicado

De leves flocos de algodão

As gaivotas que sobrevoam

E nada me dizem             Passam indiferentes

Não me ligam    E continuam.

 

Ao final da tarde

Vejo lá longe     Bem longe

Passar uma cidade flutuante

Dizem                   Um paquete

Vi-o n cais           A despejar gente

Como formigas famintas

Apressadas

 

Agora ruma ao oceano

Com sete mil olhos         Que comeram todas as ruas

Tasquinhas da baixa       E do bairro

Da Sé d’Alfama e Mouraria

Esses sete mil   Que me observam

Eles correm mundo

Vieram saber Lisboa

E já se vão

À tona                  Deslizam             Ébrias

Injetadas pela brisa do Tejo

Dizem que o oceano

Não se mede em quilómetros

Será que tem fim?

Oh emoção!

Os minutos não contam

As pedras não mexem

O céu escurece                                E assalta-me

Um remoinho de ansia

Um reflexo de despertar

Uma flecha de Cupido

Reboliço              De paixão

Olho esbugalhado          Holofote

Reconhecido     Sempre disfarcei

Publicamente   Não assumi

Desde o primeiro projeto           De vida

Puto inconformado        Já não consigo reprimir

Permaneço apaixonado.

 

Rebusco              E encontro motivação

Sentir    Respirar               Observar

Luz do sol            Água     Mar       Céu azul

Ar           Horizonte           Infinito

Rios de pensamentos corridos

Interligados       Entrelaçados

“Kamasutram”                 No gozo dos sentidos

Preceito moral                 Ritual    Desejo

Amo a Vida

Amo as pessoas                              Que se permitem amar.

 

LUMAVITO

12/01/2015

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:41



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Abril 2015

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930

Posts mais comentados



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D