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E SE A PENUMBRA SE PERPETUASSE

por avidarimar, em 10.06.16

Abro a janela do meu quarto

E a brisa invade o meu espaço

É o bater do coração acelerado

Que me faz pular

Impelido por um safanão

De melancolia ou estardalhaço

E eu atónito

Prostrado

Sinto que o cinzento é fardo

O meu registo bucólico estremece

Sem que nele tenha mando

 

Os dias são cardos ressequidos

As noites são sarugas no estio

Sem que o sol irrompa como prece

E rasgue este horizonte doentio

E libertem os sonhos adormecidos

 

LUMAVITO

CLXXIV

20160609

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publicado às 12:31

PINCELADAS

por avidarimar, em 08.05.16

O pincel rasga o coração do pintor

Feito refém da corda noite

E dos sons dos pássaros

Que esquartejam os tons da tela

Num tempo sem réstia de tempo

Pra registar as sílabas do desespero

 

Aprisionado pelo olhar

Ao mesmo tempo

Libertam-se fumos espessos

A música instrumento

Condensação de vapores

Na expressão revolta da paisagem

Só as pedras não sentem o momento

 

A cumplicidade é um desejo

O pincel é o ensejo

Feito ansiedade

Catapulta um grito de revolta

Rascunho do sentimento à solta

 

 

LUMAVITO

CLXXIII

20160304

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publicado às 14:48

BRINCAR

por avidarimar, em 08.05.16

Quero brincar e rebolar

Despir-me da imagem e do conceito

E ser eu sem preconceito

Quero ser livre e imaginar

Que o mundo não tem defeito

 

Saltar o muro da vulgaridade

Saborear o sumo da irreverência

Sentar-me no antípoda da aparência

Brincar ao jogo da igualdade

Se me sujar        paciência

 

Chapinhar descalço na poça da estrada

Estornicar o aperaltado passeante

Sentir-me à solta por um instante

E por uma vez não acontecer nada

Que não seja uma piada

E com nada de humilhante

 

Saber brincar até bem tarde

Fazendo da vida convicção

Problemas de geração não serão

É antes uma chama que arde

E queima desmedida ambição

A quem pelo fácil aguarde

 

 

LUMAVITO

CLXXII

20160129

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publicado às 14:19

VIDA NÓMADA

por avidarimar, em 06.05.16

Recomeça-se a casa todos os dias

E o caminho secreto do vento

Descobre novos cantos de aconchego

Sela-se a porta da entrada

O sonho escureceu

E o despertar repentino no desconhecido

 

A derme das palavras

Cobre as paredes de nostalgia

As sombras ficam pra trás

A azáfama toma conta

Da sofreguidão do momento

Salpicado pela fadiga

De uma vida nómada

O tempo o discurso e o corpo

Plantam raízes

Num dia mais além

 

 

LUMAVITO

CLXXI

20160505

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publicado às 12:14

PALAVRAS

por avidarimar, em 06.05.16

Armas que são palavras

E palavras que são projéteis

Elementos que se vestem de projeto

Da paz pelo núcleo das palavras

Na forja das palavras marteladas em concerto

Com elas cinicamente se faz a guerra

Com palavras a amizade prolifera

 

Com o sol das palavras floresce a árvore

E o fruto verde em crescimento

O fruto maduro que se colhe

Palavra é fruto podre que cai ao chão

E se rejeita à hora da refeição

 

Palavra é vida temperada com amargo

E o lado doce da existência

Palavra é bomba que estoira a nossos pés

E perfume que se espalha de lés a lés

Manada desgarrada à solta

E chilrear da passarada à nossa volta

 

Palavra é euforia e lamento

É ser e expressão do sentimento

Palavra é sorrir e chorar de frustração

Palavra é razão e o ensejo

De viver nas malhas do desejo

Ignorando as algemas da ilusão

 

Palavra é mentira frente ao espelho

Não aceitando a imagem da verdade

Palavra é caracter de escritura

Ao sabor das notas da partitura

Palavra é honra e faz de conta

Que encarna a dor que nos afronta

 

Palavra embaixador dos sentidos

E o porta voz de tempos idos

Palavras que são atos

E as suas omissões

Com elas se enunciam entraves

E com elas chegam as soluções

 

Linguagem      universo de palavras

Ou babilónia da expressão

Palavras que são calor e são o frio

Sons balbuciados ao desvario

Palavras são a brisa da saudade

A face vertical da dignidade

Palavras usadas com razão

 

Palavra é prémio e castigo

É conforto vindo de amigo

Com elas se percorre o vale

Vivendo nas palavras o silêncio

Provando do mel

E do fel

Palavra confirmação e prenúncio

Palavra património imaterial

Com palavras                         da terra se nasce

Com elas a morte se arremessa

Com elas naturalmente se morre

Sem mais palavra

E sem pressa

 

LUMAVITO

20160114

CLXIII

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publicado às 12:12

SERÁ PAIXÃO?

por avidarimar, em 04.05.16

Manhã cedo

Extensa fila

Paira no ar

O vermelho dominante

E um ligeiro bruar

Sem cessar um instante:

“a equipa B jogou desfalcada”

“se calhar            tanto esforço pra nada”

 “até os comemos”

Paixão coletiva

E não fazem por menos

 

Esvoaçam medos e sonhos

Quando tudo isto

Por lugar de eleição

No último jogo

Sentimentos tamanhos

Ver o glorioso “campeão”

Homenagem ao “pantera”

Em dia de primavera.

 

 

LUMAVITO

CLXXI

20160504

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publicado às 12:33

MAR AGITADO

por avidarimar, em 04.05.16

O mar agitado

As vagas alterosas

Ameaçadoras

A barcaça agitada

Em constante sobressalto

O casco balouça

Como face de pugilista atingido

Só parando nas cordas do ringue

E o sol não brilha

O vento sopra de raiva

E dispara a água salpicada

Pela aresta da quilha

 

Dentes cerrados

Espírito de amargura

Corpo rígido curvado

Como viga pressionada

Pelo peso do telhado

E dá sinais de rotura

 

A pescaria deixou de importar

Em porto de abrigo

Os danos serão reparados

Urge resistir

E chegar a terra

 

 

LUMAVITO

CLXIX

20160503

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publicado às 12:28

REINVENÇÃO

por avidarimar, em 04.02.16

O sol renasce todos os dias

De um sono cravado de breu medonho

A alvorada é o renascer de um sonho

De acordar sem obscuras profecias

 

O dia é uma jornada

De pedras e de árvores

De terra e de rios

De emoções e arrepios

De obra a enfrentar

Sem espaço nem jeito pra vacilar

 

O dia é o concreto

Puro e duro escancarado

Com chuva agreste e sol dourado

Com vento forte e com calor

Com frio intenso e com fervor

O dia é o discurso direto

E o caminho alicerçado

Para local acolhedor

 

O sol nasce e renasce

Todos os dias

E faz esquecer

A dureza das noites frias

O sol nasce

E o caminho faz-se

No dia a dia

Com reinvenção

E alegria

 

LUMAVITO

20160204

CLVIII

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publicado às 21:15

VIAGEM

por avidarimar, em 01.02.16

Em terra plana entre socalcos

O ruído da chuva intensa do inverno

Das mãos a casa sobre a rocha

Erguer

Com barro e lágrimas

Argamassa como cola

Brotam sentimentos como raízes

E filhos

Os choupos vergastados pelo vento

E os pardais migrantes

Rumo ao sul

 

O eco do tempo em rodopio

Como a fúria do furacão

Faz-se ouvir ao longe

E longe vai a esperança

E o desejo

Em renovação constante

 

E os sonhos erguem-se

Em paraísos enraizados

Na outra vertente do hemisfério

 

Memória é uma viagem

Gravada nas vestes do peregrino errante

Sem santuário para orar

Nem poiso de descansar

Como rolo compressor

Fica gravada nas estórias do tempo

Ressuscitando como lenda

Na magnitude da história

 

LUMAVITO

20160201

CLXVII

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publicado às 19:00

O TEMA DO VENTURA

por avidarimar, em 24.01.16

Se por Ventura

O Tema

De discussão

Ainda é tema

Há que discuti-lo

Com voz serena

 

Se por Ventura

O Tema

Já não é tema

Dispensar-lhe tempo

Não vale a pena

É desperdício

Para tanto ofício

 

Subir à montanha

Talvez arrefeça

Febre tamanha

Na tua cabeça

 

LUMAVITO

20160124

CLXVI

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publicado às 10:34

VIVER À PRESSA 

por avidarimar, em 24.01.16

O sol deprime escondido

E os corpos verticalmente assustados

Ainda assim persistindo

Desafiam o rigor da chuva

Levam os putos ao infantário

 

Ainda sonham

Têm esperanças de viver desafogados

Correm pró metro

Deslocam-se adormecidos no subsolo

O trabalho é cumprido a preceito

Comem de pé

A bucha enfeitada em casa

Desfiam as gordas

Nos jornais do quiosque

 

Voltam a devorar o trabalho

Até às tantas

Não vá o chefe reclamar

Correm pra casa

Com o cansaço estampado no rosto

Calam os putos com os fones

Enquanto caldeiram  o jantar

O sofá mostra-lhes a novela

E o debate dos políticos

Fazem amor a correr

Antes que seja manhã

Pra dar para ainda dormir

Antes que seja outro dia

 

Vociferam o futebol

Entram na dança das novidades do bairro

Levam os putos ao centro comercial

Devoram o fim de semana

Sem pensar no fim afunilado

Desta vida encurralada

A reforma enfia-lhes o chinelo no pé

Arrastam –se desalmadamente no tempo

E o horizonte é o cinzento da noite

Até que o sol se apague

 

LUMAVITO

20160123

CLXV

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publicado às 00:44

DEPENDENTE DA SORTE

por avidarimar, em 23.01.16

No regaço dos dias tristes de inverno

Com vinho regas

O olhar melancólico do cinzento dos céus

E o andar trôpego na estrada lamacenta

Trambolhando nas pernas em ziguezague

 

Do lado de lá da vedação

Da feira de vaidades e ostentação

Com vinho regas

As migalhas de um pão ressequido

De uma festa outrora comemorada

 

Na quietude dos tempos parados

Com vinho regas

Os soluços          os tremores

O medo da solidão do espaço sem fronteira

E os caminhos sem destino nem paragem

 

Na solidão da noite da cabana

Com vinho regas

O murmúrio do vento e da chuva

Que recortam em pedaços

A algazarra do silêncio persistente

 

Na enxerga vomitada dos teus pesadelos

Com vinho regas

Um passado com a textura de cortiça

A dor profunda de um presente envinagrado

E um futuro de espírito angustiado

 

Na esquina da rua dos remediados

Com vinho regas

A calçada amaciada pelos transeuntes alucinados

E o fel que penetra pela manhã

Da ressaca com acordes de melodia enfadonha

 

Debaixo do céu da ponte

À entrada da cidade das confusões

Com vinho regas

A enxurrada no rio que passa a teus pés

E não te lava os estragos da dependência

 

Por cima do céu da ponte

Com vinho regas

A ilusão do autocarro que te levaria à cidade

Onde ainda sonhas ser feliz

Mas os autocarros passam e não param

 

Na porta entreaberta do desespero

Com vinho regas

As sombras que pululam à distância

E o teu corpo é o selo do desespero

Sem perceber que o fracasso não é razão

E com vinho regas

A tua sorte que não tem sorte

E afogado no desvario

De uma pinga fermentada na ilusão

 

LUMAVITO

20160123

CLXIV

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publicado às 23:40

A CRUELDADE DO IMPÉRIO NUMÉRICO

por avidarimar, em 14.01.16

Um        Dois       Três

Um        Três       Cinco...

Números            Algarismos

Oitocentos   e     Vinte    e            Seis

Gestos

Oito       Dois       Seis

Repentinos

Olhares                               Sinais    Interrogações

 

Sessenta e     Seis   por      cento

Um cálculo

Seis        Seis        Percentagem

Ajustada à miséria

Quarenta e Nove

Sensação de arrepio

Quatro                 Nove

E os pelos dos braços

Eriçados

Porco espinho

 

Dezasseis ao quadrado

Gritaria

Um        Sete      Expoente            Dois

E ninguém se entende

Zero                      mesmo   Zero

O objetivo

Não se cumpriu

 

Vinte e seis ao cubo vezes

Abrir parenteses

Quatro mil elevado a cinco

Fechar parenteses

A dividir por um

Ao quadrado

A senha dourada da sorte

Vezes a raiz quadrada de um

Calhou a outro

 

Do tempo da pedra

À volta da roda

Pelo tempo do ferro

Do tempo das máquinas

Brotam os robots

Como coelhos da toca

 

Dezassete e onze

Números primos

Mas não de família

Ordem de urinar

Porra

Deixem-me mijar calmamente

E à minha vontade

Perdi o filtro

E a mistura do combustível

É cada vez mais pobre

Não lhe faltando octanas

 

Se sonhar ser um violino

Toque o hino esmagado

As coisas são assim

A vida é assim

Só os números têm razão

 

Produtividade

As mães portuguesas

Pouco renderam

Apenas pariram

Oitenta e nove mil

Em dois mil e quinze

E aumentou o défice das contas

Dos camelos para trabalhar

 

Trinta e um

Mais um que não pagou ao fisco

Três                       Um

Rico    trinta e um

Tramado

 

Trinta     e        Nove   e          Meio

Ordem de adoecer

Três       Nove     Vírgula                 Cinco                    Zero

Sem remissão

Febre    Diarreia            Vómitos

 

Mil         Novecentos       e             Noventa

Fantástico

Um                        Nove                    Nove                    Zero

Mil       Novecentos e       Oitenta e          Três

Brutal

Um                        Nove                    Oito                       Três

Mil         Novecentos e   Cinquenta e       Oito

Persistência

Mil novecentos e cinquenta e seis

Fantasia

Um        Nove     Cinco     Seis

Tempo                 Efémero

Evaporação        Erosão                  Desgaste

Mil novecentos e setenta e Nove

Conquista

Um        Nove     Sete      Nove

Perseverança

 

Pausa

….

Para contar

……..

 

O carro custou

Dezassete mil quinhentos e oitenta e um

Em dois mil e oito

E percorreu

Cento e noventa e cinco mil e setecentos

 

E a fé

A fé mede-se em euros

Ou em dólares

Quem sabe se em barris de brent

Essa fé no precioso metal

Que tudo regula

E nada germina

Na sua ausência

Não tem clorofila

 

A raiz quadrada do desemprego

Resume-se a meros

Três virgula cinquenta e dois por cento

Isto porque já não contam

Os que já não recebem

Quatrocentos e dezanove euros

 

Se chora

É emoção

Se ri

É parvoíce

Condenado ao abandono

Pelo meritíssimo juiz do tribunal

Das contas ridículas

E dos números vigarizados

 

Tantas contas

Vazio de emoção

A não ser de frustração

Cheira mal

Petrifica

Cada pensamento

Tem um número associado

E sinto-me código de barras

Só os sonhos não são divisíveis

Apenas exponenciáveis

 

 

Finalmente fez-se luz

E os mercados têm arreigados sentimentos

Quer pela instabilidade da economia

Quer pelas bolsas

Que vão tendo consciência

Do que é importante

Nesta cruzada de amor eterno

Pelo dinheiro

 

Nobre BPN que nos enterraste

Amigo BES em agonia irreversível

Saudoso BANIF que explodiste

Só vós sabeis

Os sentimentos genuínos

Dos valores mobiliários

E o quanto é importante

Que haja milhões de tansos

E idiotas

Que tudo aceitam

E  tudo pagam

 

Geometricamente

Um seno

Ou uma cossecante

À tangente

E teoricamente um Thales

Um Arquimedes

E nem sempre a vida

É uma regra de três simples

Talvez muitas mais

E bem complicadas

Tamanha poluição numérica

Numa existência tão terrena

E árida de emoções

E a sensação de ser EU

É tão rápida e amarga

 

 

Cada movimento obedece a um cálculo

Merda…                              de vida

Feita de autómatos

E as pessoas que ousam pensar

Estão em extinção

Reproduzam-se

E cultivem-se

Talvez assim sejam menos manipuláveis

 

Afinal

Os sonhos são mensuráveis

A avaliar por este meu distúrbio

Que encerra com uma horrenda dor de cabeça

Que orça em três mil miligramas de paracetamol

Portanto

Os sonhos

Avaliam-se em quilos

 

Indignos

São os números que nos regem

Estas correntes que nos amarram

Os que os manipulam

Pelo seu mesquinho interesse

 

Soberba

Só a consciência

De viver digna

E pacificamente

Connosco próprios

 

 

LUMAVITO

20160113

CLXII

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publicado às 22:16

PROFUNDAMENTE

por avidarimar, em 06.01.16

 

IMG_0034.JPG

 

Melancolicamente arrebatado

Numa folha de papel

Alguns lápis

Mágicos lápis de cores

Imaginação e um olhar profundo

Os traços fluem como sentimentos

 

A mão

Em redondos movimentos compassados

O sol nasceu há muito

E já se põe

A mescla de cores no céu avermelhado

Em osmose com o horizonte longínquo

Do mar

A paisagem e o momento

Eternamente registados

Como se o tempo não deslizasse

 

Ao longe

A marcha dum navio mercante

Conjuga-se com o silêncio

Do infinito

E ali fico

A pensar nesta janela paradisíaca

Que o mundo nos dedica

Fundem-se o olhar e o espírito.

 

LUMAVITO

20160106

CLXI

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publicado às 22:17

SERÁ UM DIA

por avidarimar, em 28.11.15

Francamente

Nem sempre

Nem sempre me apetece

Sorrir

Às vezes

Muitas vezes

Ocorre-me fingir

Que a vida sorri

Quando no fundo

Reconheço que

Inconscientemente

Morri

 

Morri quando

Devia até à exaustão ter lutado

E sucumbi

E fui andando

Fugi com medo

E escapei em segredo

Cobarde

 

E morri

Porque deixei pra mais tarde

O importante de agora

E aquele que por mim esperava

Ficou só

E não é ele quem chora

 

Choro eu de não ter a coragem

De ser eu

Em vez de tentar ser

A minha imagem

 

E lento

Lentamente

Vou morrendo aos poucos

Vou-me abafando indiferente

Agarrando-me

A estes tempos loucos

Como se nesta letargia

De viver do faz de conta

Me eximisse

De resistir ao que nos afronta

E o ser feliz

Não é estado de alma alcançado

Mas busca incessante

A quem se dá à vida

Apaixonado

Em cada instante

 

Já não tenho belos sonhos

Com pássaros e flores

Em vez de anjos

Adamastores

Consomem-me

Pensamentos medonhos

Lutas fratricidas

Horrores

Meio caminho da loucura

Tantas noites perdidas

Vagueio

No cinzento à procura

De momentos de acalmia

Quem saiba se noutro meio

Talvez a vida sorria

 

Talvez esta sirene

Que me trespassa a cabeça

Renasça doce melodia

Talvez um dia

A metamorfose aconteça

De lagarta a borboleta

Talvez esse fantasma que me inquieta

Se vá de vez

Talvez …

 

LUMAVITO

20151128

CLX

20151116 IMG_0005.JPG

 

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publicado às 11:53

DE UM NOVEMBRO PRIMAVERIL

por avidarimar, em 22.11.15

Se há alguém que não escrevendo

Se faz ler em qualquer lugar

É para nós luz na vida

Pela forma de saber estar

 

Cinquenta e sete rosas floridas

Irradiam inebriante odor

São páginas tão sentidas

De um livro sempre em flor

 

LUMAVITO

20151122

CLIX

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publicado às 12:46

TRISTE ALMA PENADA

por avidarimar, em 21.11.15

Sei que ainda rosnas

Como cão acossado

Ladras de lá bem longe

Entoas no alto do púlpito

Com esse teu ar de monge

Convencido que tais sermões

Te chegam a este lado

 

Não enxergas profundo desprezo

Que nutro realmente por ti

De silêncios e punhaladas

É o mesmo de dezasseis dias

Gravados dentro de mim

Mesmo assim acreditavas

Que guardo o que tu dizias

 

Incomoda-te o meu silêncio

E já rondas os meus passos

A solidão a que és votado

O que te move sem clareza

Se procuras novos laços

Comigo não será com certeza

Vai morrer a outro lado

 

LUMAVITO

20151115

CLVIII

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publicado às 22:36

ENCENAÇÃO

por avidarimar, em 21.11.15

No centro d’arena

Do circo da vida

Desfilam artistas

O drama de fazer rir

Comédia cruelmente fingida

Aplausos da plateia

Gritos

O palhaço sai de cena

E silêncios de partir

Medonhos silêncios

No resto da jornada

Só o sabe a rulote

A solidão chateia

A solidão consome

Nesta passagem terrena

Quase missão sacerdote

Vida de tanta coisa

Tanta coisa sem nome

E recheada de nada

Qual sonhador D Quixote

 

LUMAVITO

21051115

CLVII

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publicado às 21:07

EQUILÍBRIO NATURAL

por avidarimar, em 31.10.15

Na outra face do ser

Convivem etéreas aparências

Pelas veias da verdade escondida

Navega um turbilhão de ilusões

 

A cada intenso raio de luz

Contrapõe-se uma sombra

Por detrás de cada espessa nuvem

Espreita o sol resplandecente

 

Em cada porta entreaberta

Há um mundo por descobrir

Em cada transeunte anónimo

Passa uma outra forma de ser

 

Nos meandros enraizados da tradição

Descobriremos novos sadios hábitos

E agradeço à reconhecida ignorância

Tudo o que hei de aprender

 

LUMAVITO

20151030

CLVI

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publicado às 01:20

PORQUIGUAL À FRENTE, EM RODA LIVRE

por avidarimar, em 25.10.15

E agora …

Vamos maquilhar o cadáver

Como se a morte sofrida

Ainda parecesse vida

Triste consolo parecendo altivo

Permanece mais morto que vivo

 

Fantasmas em debandada

Pensamentos moribundos

Ideais que não trilharam caminho

Dominador de tantos mundos

Caminha agora sozinho

 

No amontoado de sombras

Fermentam leveduras do poder

Irrompendo por entre a escuridão

Assistem ao esqueleto a arder

E as cinzas em erupção

 

Uma vez o voto subestimado

Interroga-se qualquer ser

Olhemos nós de qualquer lado

Por termos um cavaco a arder

Submerge um coelho chamuscado

 

LUMAVITO

20151025

CLV

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publicado às 12:48


Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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