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BIBLIOTECA

por avidarimar, em 13.04.15

Desliza uma folha de papel

Duma prateleira

Do meu pensamento

Descaindo suave como nuvem.

 

Baloiçou

Até poisar na mesa

Onde arrumo os meus sonhos

Mesa onde, por hábito

Registo os momentos

Dos encontros que tenho contigo

Regular e apaixonadamente.

 

Trauteio cantos e prosas

Rosas e margaridas

Esboço de jardins e paraísos

Relato histórias intensas

Que não se esfumam

Não gelam

Nem se escondem

Sinais letras traços acentos e pontos

Sílabas agudas de prazer

E graves também

Por sérias e sinceras

Palavras imensas de orgulho

Sentir o calor da tua face

Textos extensos de afetos

No brilho dos teus olhos

Riachos rios e mares

No veludo da tua pele.

 

Com todos eles alimento

A minha biblioteca mental

Sonho construir

Mais uma nave de três pisos

Para guardar os rabiscos

E todas as folhas

Que me proponho escrever

No regaço deste tema

Que ocupa todos os dias

Do calendário virtual

Dentro do poema

Que talvez exista

Infinito e belo

Onde marquei reuniões

A perder de vista.

 

Esta paixão não esgota

Arrebata com fervor

E sinto-me incapaz

De escrever

Tudo o que me ocorre

Porque não uso gravador

E as ideias são setas disparadas

Pelo arco do tempo

E porque o sinto

Nunca ficará completo este capítulo

Deste livro de emoções.

 

E é arrebatado que leio

O teu pensamento

Os teus gestos

A floresta do imaginário

Ver o sol brilhar

Na orla do teu corpo

Até que a lua se ocupe

De mandar o sol maior dormir

E te olhe resplandecente

Por entre a brisa nas giestas

Que dançam

Com o teu passar.

 

Escrever de ti

Contigo

É o mote que não acaba

É palavra

É ideia, sentir, palpitar

Todas entrelaçadas

No sentido ascendente

Cada palavra em seu momento

Cada frase, um assento

Cada ideia um fogo ardente.

 

Cada ideia em sua cama

O sentido que a vida segue

E aquele que lhe queremos dar

Porque somos livres de escolher

Os nossos pensamentos

E a fornalha do imaginar.

 

Esses

Não há gente

Não há gerente

Nem político ou dirigente

Que nos maniete

E roube o pensamento

Não há ditador que ordene

O que eu possa pensar

E não há ministro das finanças

Que taxe o rendimento

Sobre o meu pensamento.

 

Não haverá

Ministro da educação

Que promova a utilização de censura

Dos manuais do pensamento

E não existirá ministro da defesa

Que se apodere

Das armas do pensamento

Nem ministro da presidência

Que anuncie decisões

Do conselho do pensamento

Acerca do seu alinhamento

Nem ministro da justiça

Que lhe mude as leis.

 

Podem condicionar

A forma de falar

De escrever

Conseguem estreitar

A minha vontade de agir

Mas não me conseguem roubar

A liberdade de pensar.

 

 

Panaceia, comiseração

A virtude do palavreado

A ilusão vendida aos molhinhos

A preço inflacionado

Acomodação ao estado de pobreza

Ausência de iniciativa

Sempre que me instigo

Declamar suave e doce

 

Regorgito

Vem-me à boca o amargo

Da notícia

Vem-me à memória a polícia

Que outrora

Fazia da tortura a maior arma

Aflui-me o azedo

Da escandalosa mentira

Retorço-me com este veneno

Que contamina todo o corpo

Provoca arrepios

E dores do pensamento.

 

Sempre que quero escrever

Coisa redondas

Coisas belas

Megafones insuportáveis ecoam

Por todos os cantos da aldeia

Mensagens poluídas

Conspurcadas

Com vozes aveludadas.

 

Sinto um murro no estomago

De notícias travestidas

Obscenas

Como punhal espetado no dorso

Vem-me à cabeça

O desprezo que alguns têm por nós

Vêm-me à memória outros factos

Que não desalinham

Desta putrefação reinante

Pelo respeito pelo bem comum.

 

Sai-me disparada a revolta

Envolta em palavras acauteladas

Sai-me a indignação

Por um “durão” da política

E dessas coisas assim

Sai-me a vergonha de ver

Com que analgésico

Este povo reage

 

Ainda não pôs pé na rua

A rua do desemprego

E lesta chega a nova

De apenas uma fraca reforma

E parcela de menor importância

Um mísero ordenado vitalício

De vinte cinco mil chavos mensais

Apenas com direito a despesas de deslocações.

 

Um homem que tanto penou

Em prol do bem público

Imaginem

Durante longos dez anos

Lá para esses lados da europa absoluta

E pura

Tal a alma pura deste ser que se deu

À prática da caridade genuína

Construção da felicidade alheia

Vê deste modo, esfumarem-se

As suas causas nobres

Palpites aqui

Bitaites acolá

Recomendações em avulso

Tantas horas de viagens

Sem direito a descanso

 

Roo-me de indignação

Por não me situar

Nesta capacidade de entrega

Belisco-me

Espeto-me de agulhas

Por não comungar

De tanto desprendimento.

 

Não entendo preocupação

Pelos quinhentos e cinco chavos

De ordenado mínimo

Instituído lá para os lados do atlântico

Sim, esses malandros

Inertes, sem ação

Sem pensar

Com paciência

Gastariam o que apanhassem

Não pensariam em amealhar

Para mais tarde

Colherem o fruto da previdência.

 

Com a mão direita deram-nos esperança

De maior igualdade

Com essa mão

Desenharam seriedade

Com vozes meigas

Pronunciaram gestos fraternos

Escondida

Atrás das costas

Com a outra mão

Roubaram-nos

O que tínhamos de valor

Que mais valor que a esperança

Todos os dias agora

Com a mesma voz

Apregoaram

Que a desgraça nos invadiu

A miséria e a pobreza

Com essa mesma voz

Nos chamam preguiçosos

Desmesurado populismo

Berram-nos

Que não fizemos

Os trabalhos de casa

E a mesma lata

Incriminam inocentes

Com laivos de banditismo

Querem-nos culpados

Dos roubos colossais

Que seus pares promoveram.

 

 

Nova página se escreve

Noutro tom

Noutro registo

Sem humor

Desprovido de demagogia

E enquanto houver caneta

Lápis carvão ou pena

Molhada em cálice de sangue

Escreverei

O que o pensamento me inspira

Em folha de papel ou em parede de gel

Nas águas do mar se possível

Rabiscarei na poeira da estrada.

 

Enquanto houver luz

Enquanto brilhar o sol

Ao luar

E à luz das estrelas

Lerei

Mas sobretudo

Interiormente gritarei

A liberdade do livre pensamento

Para que fique registado

Na minha biblioteca mental.

 

Com o indicador

Escreverei no ar

Os versos da frescura do dia

Rasgarei com canivete

No tronco

Da árvore da resistência

Com um cavaco

Registarei tristezas

Na lama da economia

E lanço um grito que alerte

Para além da mordomia

Elevemos o olhar

Ergamos a arma maior

Eles não querem     Mas

“Não abdiquem de sonhar”

 

LUMAVITO

10/11/2014

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publicado às 23:29



Pretendo abordar diversos temas da vida de um país, em claro desespero de sintonia entre governados e governantes. A forma pretende ser a poesia, com mais preocupação pelo conteúdo da mensagem que pela forma de estilo.

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